Paraíba

A cada 100 mil paraibanos, pelo menos 13 têm Aids

Dados são do Núcleo de DST/Aids

A cada 100 mil paraibanos, pelo menos 13 têm Aids

Pelo menos 13 em cada 100 mil paraibanos foram diagnosticados com Aids no ano passado na Paraíba. No ano anterior, a taxa era de 10,3 casos. O cálculo é uma estimativa da Secretaria de Estado da Saúde (SES), que tomou por base a população do último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e realizou um cruzamento dos casos comprovados com aqueles subnotificados no Estado. Por conta do alto índice de incidência da doença e para incentivar a prevenção, serão distribuídos dois milhões de preservativos agora em fevereiro no Estado. Em 2014 foram 431 diagnósticos comprovados.

A taxa de casos de HIV positivo no país no ano de 2013, de acordo com o Ministério da Saúde (MS), era de 12,7 casos a cada 100 mil habitantes. O índice é menor que o detectado na Paraíba no ano passado, porém, conforme a gerente operacional do Núcleo de DST/Aids e Hepatites Virais da SES, Ivoneide Lucena, o Estado segue uma perspectiva nacional.

A gerente operacional do Núcleo de DST/Aids e Hepatites Virais da SES destacou um aumento substancial de casos na população jovem, que tem desacreditado na mortalidade da doença.

“Tem aumentado significativamente o número de casos da doença em jovens de 15 a 29 anos. Com o advento dos medicamentos e a caracterização da Aids como uma doença crônica, deixando as pessoas com uma aparência saudável e uma boa perspectiva de vida, passou-se a não se temer a doença. Porém, desde o primeiro caso diagnosticado na Paraíba, em 1985, já contabilizamos 6.900 casos no Estado. Além disso, a média de mortalidade da Aids na Paraíba é de cerca de 110 pessoas por ano”, alertou.

Em pesquisa divulgada na última quarta-feira pelo Ministério da Saúde, essa previsão da Secretaria de Saúde da Paraíba concorre com os dados nacionais. Apesar de 98% das 12 mil pessoas na faixa de 15 a 64 anos entrevistadas saberem que o preservativo é a melhor forma de evitar a Aids, 45% não os utilizaram em relações ocasionais em 2013. A pesquisa realizada pelo órgão ainda observou que houve um aumento de 19% para 43,9% no número de pessoas que tiveram mais de dez parceiros sexuais na vida.

Com base nesses dados, o Ministério da Saúde anunciou um novo enfoque para as campanhas nesse sentido, não somente pensando na prevenção, mas alertando para a necessidade da realização dos exames e dos tratamentos. Conforme Ivoneide Lucena, com essa mudança no perfil da população, a ampliação do acesso aos testes e a interiorização do acesso aos medicamentos têm sido prioridades no Estado.

“Dos 223 municípios do Estado, 220 já oferecem o teste, também ampliamos o acesso ao tratamento, levando unidades dispensadoras de medicamentos para o interior. Temos como proposta para 2015 fortalecer a interiorização. Além disso, produzimos material informativo e oferecemos cursos, com duração de seis meses, para capacitar professores da rede estadual, para dialogarem com os alunos com relação à sexualidade”, explicou.

PRESERVATIVOS

Do total de pessoas sexualmente ativas no Estado, mais de 50% não usam preservativos durante as relações sexuais. A previsão é da SES, que, tendo em vista essa preocupação e o advento do Carnaval, período em que aumenta a transmissão de casos, distribuirá dois milhões de camisinhas somente nesse período do ano.

“Nós chegaremos aos dois milhões somente para essa época, que sabemos que é um período em que sempre rola um clima e as pessoas, muitas vezes, estão desprevenidas. Então orientamos que, ao sair para uma festa, leve um preservativo, porque a probabilidade de usá-lo será muito maior. Da mesma forma, se tiver feito relação sexual sem camisinha, procure um posto de saúde próximo. O resultado da sorologia sai em 30 minutos e ali mesmo será encaminhado o tratamento”, completou.

Jornal da Paraíba

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