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Denúncia de Nisman contra Kirchner é aceita

Promotor acusou Kirchner de encobrir terroristas em atentado de 1994

Denúncia de Nisman contra Kirchner é aceita

O juiz Daniel Rafecas, especialista em direitos humanos e no Holocausto, acolherá a denúncia de suspeita de acobertamento contra a presidente Cristina Kirchner a favor de ex-governantes iranianos, supostamente envolvidos em um atentado antissemita em 1994, em Buenos Aires.

O procurador argentino Alberto Nisman, que denunciou a presidente Cristina Kirchner de acobertar o envolvimento de terroristas iranianos em atentado a centro judaico em 1994. (Foto: Reuters/Marcos Brindicci/File)

A denúncia tinha sido apresentada pelo promotor Alberto Nisman, morto em circunstância misteriosas em 18 de janeiro. Quatro dias antes de aparecer morto em seu apartamento com um tiro na cabeça, em circunstâncias obscuras, Nisman acusou a presidente de proteger os iranianos.

A decisão foi tomada pela Câmara Federal para liquidar o debate jurídico, entre Rafecas e outros dois juízes, sobre qual deles deveria se ocupar do caso, informou o Centro de Informação Judicial (CIJ), uma instituição federal.

Rafecas julgou militares da ditadura (1976-83) por crimes contra a humanidade e foi agraciado por seus estudos sobre a Shoá praticada pelos nazistas com os prêmios de Direitos Humanos da Fundação B'nai B'rith, Moisés 2011 da Sociedade Hebraica Argentina e Gilbert Lewi, da Fundação Museu do Holocausto de Buenos Aires.

A morte do promotor dividiu o país entre aqueles que acham que Nisman foi uma vítima do governo e os que denunciam um complô internacional para desacreditar Kirchner, supostamente impulsionado por poderosos ex-agentes dos serviços de inteligência, demitidos de seus cargos em 17 de dezembro passado. A morte, considerada "duvidosa", pois ainda não está clara se tratou-se de suicídio ou homicídio, é investigada por outra promotora, Viviana Fein.

Fein suspendeu, nesta quarta, as férias que iniciaria em 18 de fevereiro, após críticas do governo e pedidos para que não abandonasse o cargo. "Não vista o maiô. Estamos em uma investigação que preocupa todos os argentinos", disse em coletiva de imprensa o secretário-geral e porta-voz da Presidência, Aníbal Fernández.

Nesta quarta-feira, Kirchner estava na China, onde assinou acordos de fortes investimentos em energia e transportes com o governo de Xi Jinping.

Entenda o caso

O ex-presidente iraniano Ali Rafsanjani é um dos suspeitos do ataque à mutual judaico-argentina AMIA, que deixou 85 mortos e 300 feridos.

Em 2004, Nisman, com o apoio do então presidente Néstor Kirchner (2003-2007), acusou oito ex-governantes iranianos e um libanês pelo ataque.

Mas em 2011, sua esposa e sucessora, Cristina Kirchner, assinou um acordo com o Irã para poder interrogar os iranianos em Teerã, apesar da oposição do promotor e da dirigência da mutual judaica da Argentina, que tem 300 mil membros.

O promotor acusou Cristina Kirchner de pedir à Interpol para suspender os pedidos de captura contra os iranianos, mas o ex-secretário geral da organização policial internacional, Ronald Noble, o desmentiu.

Nisman escreveu que Kirchner queria conseguir petróleo do Irã em troca do acobertamento dos iranianos, embora o óleo cru exportado por Teerã não sirva para ser processado na Argentina.

G1

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